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Com sete pacientes entubados, Vilhena terá de fechar comércio se mais três precisarem de UTI

Secretário de Saúde Afonso Emerick faz apelo a população para tentar frear contágios

VILHENA – Administrada pelo jeitão oriental despojado e humilde do prefeito Eduardo Japonês, a cidade de Vilhena vem, até o momento, se saindo muito bem na administração da pandemia de coronavírus. Melhorou a estrutura do hospital regional, implantou leitos de UTI exclusivo para atender pacientes acometidos pela infecção do corona e fechou o comércio quando foi preciso fechar, para ganhar o tempo necessário a estruturar a rede pública de Saúde.

Mas, à medida em que a pandemia persiste e vai aumentando o número de caso, a situação vai-se agravando. Só que tem uma vantagem em relação a outros municípios, como Porto Velho, onde não há muito transparência em relação à pandemia. As autoridades municipais em Vilhena jogam aberto com a população, sem esconder dados.

O site FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, na tarde desta sexta-feira, 26, o secretário de Saúde de Vilhena, Afonso Emerick, e cobrou transparência em relação à estrutura para atender pacientes com a covid-19 no maior hospital do Cone Sul. O titular da Semus prometeu “bater a real” e as informações são realmente perturbadoras.

Emerick informou que, ao contrário do que chegou a ser divulgado, o limite de ocupação para os leitos da “Ala do Covid” de 80% diz respeito apenas às unidades de UTI e não o total. Esse é o percentual que, se for atingido, paralisa automaticamente as atividades econômicas locais. Hoje, segundo Afonso, estão disponíveis para pacientes com o Coronavírus, 12 leitos de UTI e 25 de enfermaria.

Os vereadores devem, por orientação do Comitê de Enfrentamento à Pandemia, fazer esta alteração no decreto municipal sobre o tema. Atualmente, são sete os pacientes entubados, o que revela uma situação assustadora: se mais três leitos forem ocupados, o comércio será fechado, como forma de tentar frear as contaminações em Vilhena.

“Em todo o Brasil, esse limite é estabelecido com base nos leitos de UTI, porque os outros, os clínicos, a gente pode aumentar caso seja necessário. Esses outros leitos para casos mais graves dependem de respiradores e de mais profissionais. E nenhum dos dois é fácil de encontrar”, argumentou.

Questionado se não seria muito acanhada a quantidade montada na rede pública, Emerick explicou que, em Ji-Paraná, segunda maior cidade de Rondônia. Não foi disponibilizado um único leito de UTI para covid. As únicas cidades do Estado que conseguiram montar leitos foram Vilhena, Jaru e Ariquemes. “E nós temos uma quantidade maior que os outros dois municípios”, argumentou.

DIFICULDADES

O secretário disse que dos 12 leitos montados pelo município, todos contam com respiradores mecânicos. O número poderia ser maior, mas como cinco dos equipamentos doados à prefeitura vieram com defeito, não houve como expandir a UTI específica para os pacientes infectados.

Caso a doença continue sendo disseminada no ritmo atual, o colapso na rede municipal é só uma questão de tempo. “Se esgotarem os leitos, só um hospital de campanha resolve, mas isso também depende da contratação de mais profissionais, o que já estamos fazendo”.

APELO DESESPERADO

O entrevistado revelou que a única forma de tentar reduzir a velocidade dos contágios em Vilhena é a população evitar circular pela cidade. “Eu faço um apelo para que nos ajudem: quem puder, não saia de casa”, disse, explicando que muitos jovens contraem o Coronavírus inclusive em festas, não sentem sequer os sintomas, mas infectam os pais e os avós.

Apesar da preocupação com os idosos, o titular da Semus fez uma revelação que assusta: hoje, um homem com pouco mais de 30 anos foi entubado após contrair a Covid-19.

“Eu volto a pedir a população: adotem medidas para que não cheguemos a uma situação dramática em nossa cidade”, finalizou o gestor.

Com informações do Folha do Sul On Line

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