spot_img

Maior percentual de mortes pelo Covid no Brasil, Guajará ganha atenção dos deputados, que pedem intervenção já

Sesau está estudando as formas de como deverá agir para tentar conter esse índice de mortalidade tão acentuado naquela cidade

Sérgio Pires

OPINIÃO DE PRIMEIRA – Até a terça-feira à noite, 49 casos registrados e 18 mortes. Ou seja, 36,7 por cento das poucas pessoas contaminadas pelo coronavírus em Guajará Mirim morreram, certamente atingindo o maior percentual de óbitos não só em Rondônia, mas também em todo o país. Em nível estadual, a média de mortes sobre o total de casos está em torno de 3,7 por cento. No país inteiro, ela sobe para perto de 7 por cento. Ou seja, a situação em Guajará é de pânico, em função desses números assustadores. Foi por isso que o assunto explodiu como uma bomba na Assembleia Legislativa. O presidente da casa, deputado Laerte Gomes e o representante de Guajará no Parlamento, o deputado dr. Neidson, que também é médico, pediram a intervenção urgente do Governo do Estado, via Secretaria de Saúde, no sistema municipal de Guajará, para tentar conter essa pequena tragédia que o município está passando.

Requerimento nesse sentido foi aprovado na noite desta terça. Para se ter ideia e apenas para comparar, Porto Velho tinha até terça-feira, 1.855 casos e 57 mortes, ou 3 por cento do total de afetados pela doença. Ariquemes teve 171 casos e duas mortes, até essa terça. Ou seja, o caso de Guajará é grave e a Sesau está estudando as formas de como deverá agir para tentar conter esse índice de mortalidade tão acentuado naquela cidade.

REMÉDIO VIRA PALANQUE E POVO ENTOPE UTIS E CEMITÉRIOS

Não há, nos anais recentes da Medicina e da Ciência, ao menos no Brasil de um século para cá, histórico de que algum medicamento tenha sido transformado em mote ideológico e de palanque eleitoral. Nem o uso medicinal da maconha causou tantas brigas, algumas furiosas, se determinado remédio pode ser usado ou não; se salva ou não; se mata ou não. Talvez algo parecido só tenha acontecido quando Osvaldo Cruz determinou medidas drásticas no combate à febre amarela, no início do século 20. Brincando com vidas humanas e colocando seus interesses ideológicos e pessoais, acima da preocupação maior com a busca de alternativas para a cura do corona vírus, a hidroxicloroquina é a salvadora do mundo para alguns e a vilã enviada pelo demônio para outros. Sem meios termos. A possibilidade de que ela tenha efeitos positivos e ajude, junto com outros medicamentos, a derrotar a Covid 19, não interessa a um grupo de cientistas, médicos, mas, muito mais, a palpiteiros que exigem que sua opinião se sobreponha, não importa quantos morram ou quantos vivam. De outro lado, fanatizados também, querem o uso indiscriminado da droga, como se ela não tivesse todos os riscos que um medicamento como pode ter, para o corpo humano. Como pano de fundo, mais uma vez uma guerra ideológica, enquanto o vírus se espalha, coloca milhares de brasileiros nos hospitais, centenas deles nas UTIs, todos superlotados e mata outros milhares. Médicos e cientistas se digladiam pelas redes sociais, cada um defendendo exatamente o oposto do outro. “Não tem qualquer indício de que a cloroquina acabe com o vírus”, defende um dos lados. “Ela já salvou milhares de vidas”, vocifera o outro. Enquanto isso, no meio da pandemia, ficam os pobres coitados de sempre, joguetes nas mãos dos que preferem vê-los mortos e enterrados, a abrir mão de suas convicções.

Pessoas sérias, algumas que dedicaram toda a sua vida para salvar vidas; gente decente, gente de boa índole, médicos, cientistas, pesquisadores, pessoas que fazem parte de uma casta especial da Humanidade e que nasceu para dedicar-se aos outros, de uma hora para outra se transforma, muda seus objetivos, transfigura-se, para entrar na louca discussão político/medicinal (existe um termo desses no vasto linguajar da língua Portuguesa?), porque nosso país e parte do mundo estão assim, rachados ao meio. Mas o Brasil dividido é o das elites e não pelo povo pobre e sofredor. Esse está desempregado, faminto, sem perspectiva e sem futuro, enquanto os que têm seus salários garantidos estão em férias, recebendo religiosamente sua grana. A fome passa longe desses que não precisam abrir a porta do seu comércio ou vender seu cachorro quente na esquina para sobreviverem.  Esses, os trabalhadores, os empresários desesperados, os desempregados, esses podem morrer, sem saber a quem recorrer, enquanto os graúdos decidem se eles podem ser salvos ou não por esse ou aquele medicamento, porque o importante é a ideologia, não a busca de salvar quem está precisando ser salvo. Uma tristeza!

TRUMP, BOLSONARO, DANIEL PEREIRA…

Ainda sobre o mesmo tema: o presidente Donaldo Trump está tomando cloroquina há pelo menos dez dias. Como prevenção, já que não está com a Covid. O presidente Bolsonaro defende o uso indiscriminado da droga, embora não se sabia se ela resolve apenas alguns poucos casos da doença ou se realmente é o caminho para combater a Covid 19. Aqui em Rondônia, as discussões se alastram. A Sesau já autorizou o uso do medicamento, em casos em que médico e paciente assim o decidem e há sim resultados positivos, embora não em todas as situações. Quem usou cloroquina durante anos (por ter sido vítima de várias malárias), diz que o medicamento tem efeitos colaterais, alguns para a vida toda. É o caso, por exemplo, do ex governador Daniel Pereira, que teve a doença várias vezes (assim como seus familiares) e a combateu com cloroquina. Diz que até hoje tem problemas estomacais e não pode tomar qualquer tipo de bebida de álcool, por exemplo, que sofre intensamente. Nessa história toda, enquanto não surgir um medicamento definitivo e eficaz (o que pode demorar um ano ou até anos), o uso da cloroquina pode ser um bom caminho, desde que sob intenso cuidados médicos e com dosagens supercontroladas. Mas isso não interessa para o debate, é claro. O que interessa mesmo é a ideologia de cada um. Dependendo dela, a cloroquina serve ou deve ser jogada no lixo.

ZÉ DIRCEU VOLTA AO XILINDRÓ

Entra, fica um pouco e sai. José Dirceu, que já foi guerrilheiro e que se tornou um dos homens mais poderosos do país no governo Lula, voltou para a cadeia. É a quarta vez que ele volta ao xilindró, para cumprir penas por corrupção e várias outras acusações. Ele cumpriu pena de agosto de 2015 a maio de 2017. Foi solto. Voltou para a cadeia e passou apenas 30 dias atrás das grades, entre maio e junho de 2018, sendo solto novamente por decisão do STF. Agora a Justiça Federal não acatou recursos dos advogados de Dirceu e ele está preso de novo. Até quando, ninguém sabe!  Zé Dirceu foi um dos expoentes do petismo, seu mentor intelectual e o criador do Mensalão, que, denunciado pelo então deputado Roberto Jefferson, deu origem a uma série de investigações., que acabaram destroçando a estrutura de roubalheira que dominou o país durante os mandatos de Lula, principalmente, mas também no período em que Dilma Rousseff comandou o país.

EM DOIS MESES, DE UM PARA 2.413 CONTAMINADOS

Quando estaremos livres desta terrível Covid-19, que colocou o mundo prostrado, que levou e continuará levando milhares e milhares de vidas e que, ainda, está prestes a causar o maior dano da História à economia de centenas de países, entre os quais, infelizmente, o nosso Brasil? Perigosa, sem cura até agora, sem perspectiva que acabe antes de atingir milhões de pessoas, a doença se espalha como poucas vezes se viu em décadas, senão séculos. Para se ter ideia do quão assustadora ela é, basta se ver os números de Rondônia. Numa quinta-feira, dia 19 de março, foi registrado o primeiro caso da doença no nosso Estado. Exatos 60 dias depois, na terça, dia 19 de maio, já tínhamos mais de 2.413 casos; 265 internados e nada menos do que 88 mortes. Na noite dessa terça, contudo, o número de contaminados, internados e de mortos subiu de novo. Foram novos 370 casos e 11 mortes a mais em apenas um dia. A boa notícia é que, do total de afetados pela doença, nada menos do que 831 pessoas estão recuperadas e voltando às suas vidas normais. Isso representa mais de 34,5 por cento de pessoas que superaram a Covid 19. Rondônia se antecipou, com várias medidas contra o coronavírus, mas ainda estamos sofrendo muito. Até quando? Essa é a resposta que todos esperamos…

ELEIÇÕES: ADIAMENTO SIM, PRORROGAÇÃO NÃO!

Está por um fio a data de 4 de outubro para a eleição municipal deste ano. Tanto Câmara Federal quanto o Senado vão criar comissão conjunta, na semana que vem, para analisar o assunto e buscar uma alternativa viável, transferindo o pleito para uma data a ser definida. Embora nada ainda esteja concretamente definido, já haveria pelo menos um consenso: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que a grande a maioria dos líderes da Casa defende o adiamento, desde que os mandatos dos atuais prefeitos e vereadores não sejam prorrogados. Fazer eleição única em 2022, acabando com a gastança com política a cada dois anos, nem pensar.. Maia informou que o presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, deve anunciar a criação de um grupo de trabalho conjunto, para decidir a questão. O TSE, ao menos por enquanto, continua mantendo o 4 de outubro como a data do pleito. Mas ao que tudo indica, a eleição será empurrada para final de novembro ou meados de dezembro.

UM DEPUTADO CURADO, OUTRO CONTAMINADO

O deputado Eyder Brasil, que foi testado positivo para o corona há duas semanas, encerrou sua quarentena e está livre da doença. Num vídeo divulgado nas redes sociais, anunciou que novo exame feito agora, comprova que ele não tem mais o vírus. Ficou todo esse tempo em quarentena, inclusive longe da esposa e do filho recém-nascido. No vídeo, Eyder diz que tomou cloroquina, junto com outros medicamentos e que está totalmente livre da terrível doença. Agora, surge outro parlamentar que estaria começando a quarentena, também por ter resultado positivo. Trata-se do deputado Geraldo de Rondônia, cuja base eleitoral é Ariquemes. Aliás, é nesta cidade que se registrou o maior número de casos depois da Capital, até o início da tarde dessa terça-feira. São 168 casos confirmados, 127 curados (ou 76 por cento de pessoas que já superaram a Covid 19) e apenas uma morte. Restam, portanto, apenas 41 pessoas que ainda estão ou hospitalizados ou cumprindo quarentena, em Ariquemes

SOS RONDÔNIA E ENERGISA: SOLIDARIEDADE NA PANDEMIA

Campanhas beneficentes, ações de solidariedade e preocupação com os mais vulneráveis têm sido constantes no Brasil, nesse momento de pandemia. Aqui em Rondônia não é diferente. Um exemplo: ação conjunta SOS Rondônia, entre a Associação dos Magistrados de Rondônia, a Ameron; Associação do Ministério Público de Rondônia e Associação dos Delegados de Polícia, distribuiu em torno de 200 cestas básicas aos ribeirinhos da região do Baixo Madeira, entre as localidades de Nazaré, Renascer, Tira Fogo, Laranjal, Prainha e São José da Praia, no final de semana. Outra iniciativa louvável é da Energisa, que está dando atenção especial no atendimento a idosos. A empresa está fazendo um grande movimento, envolvendo colaboradores da empresa, familiares e amigos. O sistema aumenta os valores doados, porque a Energisa coloca 1 real para cada real doado pelos participantes da iniciativa. a campanha beneficiará 38 instituições nos 11 estados onde a empresa distribui energia elétrica. Em Rondônia, toda a atenção será dada à Casa do Ancião São Vicente de Paula. Para participar, as pessoas devem realizar as doações através do site: https://evoe.cc/energiadobem.

PERGUNTINHA

Quanto tempo ainda você acha que o comércio aguentará com suas portas fechadas, até que comece uma quebradeira geral das pequenas e médias empresas em Rondônia e no Brasil?

Related Articles

DEIXE UMA RESPOTA

Entre com seu comentário novamente
Por favor, entre com o seu nome aqui

spot_img

Últimas notícias