Home Brasil Morre professor Samuel Johnson e com ele um pouco da alegria do ‘Barão do Solimões’

Morre professor Samuel Johnson e com ele um pouco da alegria do ‘Barão do Solimões’

por Redação

Lúcio Albuquerque

PORTO VELHO – O professor Samuel Johnson, vítima de uma pneumonia, faleceu na noite de anteontem, 12, e com ele se foi, certamente, um pouco da alegria na escola mais antiga de Rondônia, a Barão do Solimões que, nesta década, completa um século como centro formador de várias gerações de jovens. O prédio é onde aconteceram dois fatos importantes para nossa história, a visita do presidente Getúlio Vargas em 1940 e, quatro anos depois, a instalação do Território Federal do Guaporé.

Os pais de Samuel, ambos antilhanos, vieram para Porto Velho na época de ouro da ferrovia Madeira-Mamoré, seu pai, o Mr. Johnson, era um técnico que trabalhou muitos anos na estrada de ferro, figura muito respeitada na sociedade de então.

Conheci o Samuel ele ainda bem jovem, antes de fazer o serviço militar. Ele, como muitos jovens de sua época, era uma espécie de multi-atleta, do tipo “o que aparecer eu jogo”. Futebol não lembro dele se arriscando, mas voleibol, handebol e basquete, desses eu tenho certeza, e um detalhe que chamava a atenção não só a mim, mas a todos que tinham contato com ele, também da garotada que passou em suas mãos, inclusive meu neto mais velho. Na quadra do Barão do Solimões com os times de basquetebol, onde uma vez conversando dizia que passava aos garotos a mesma coisa que lhe fora ensinada por outros treinadores que teve, inclusive o respeito e o dever de estudarem.

Em 1973 eu já era árbitro de voleibol e coordenei a equipe, formada por árbitros de várias partes do país na disputa do Regional Norte do Troféu Olímpico, realizado em Manaus e ali conheci a delegação rondoniense, chefiada pelo jornalista Walter Santos Barbosa, e peço desculpas por não lembrar de todos, mas cito o Samuel, o Rezende, o Paulinho – agora delegado da Polícia Civil, e dois filhos do historiador Esron Menezes. Naquele time, afora que eu esteja muito enganado, participava também um irmão do Samuel – creio que o jornalista Elvestre Johnson.

Na época, pelo time do Ceará, que foi o campeão, jogava um atleta muito bom, que em 1978 desembarcou aqui apenas para esperar o voo para Rio Branco, mas acabou “bebendo água do Madeira”, o Gil – Gilmário Pinheiro – que teve participação muito importante para o crescimento do voleibol rondoniense, à época, chegando a ficar entre os primeiros várias vezes, e ganhar, três vezes, o título de campeão brasileiro, e dois vices, nas categorias C e B.

Com a vinda do Gil e o envolvimento de um grupo de pessoas – o Chiquilito Erse, o major Luís Pinto, a professora Socorro, os professores Cabo Cardoso e Danilo Pires, os jornalistas João Tavares, Walter Santos (que liderava o grupo) e eu mesmo, o voleibol disparou e tornou-se referência, mas um destaque era aquele garoto não tão alto, forte e de bom trato, que jogava muito e melhorou mais ainda sob o comando do Gil, o   Samuel Johnson.

Àquela altura não era crime chamar uma pessoa por “Negão”, e era assim que nós citávamos o Samuel, que eu ainda como árbitro, já residindo aqui em Porto Velho, cheguei a dirigir partidas em jogos de handebol e vôlei; companheiro, ainda, de várias delegações quando íamos para competições nacionais. Ele também integrou, durante um bom tempo, o quadro de árbitros que a Federação Rondoniense de Voleibol formou.

Chamado por Deus, certamente para treinar o time de basquete do céu, ou jogar no time de veteranos de voleibol naquelas paragens, o Samuel foi embora ontem, e ao chegar lá, além de seus pais, ele reencontrou amigos, o Cardoso, o major Luís Pinto, a professora Socorro, o Chiquilito e muitos outros, além de alguns até adversários, como o professor Pedrão, técnico do Dom Bosco, seu grande rival quando o assunto fosse basquete feminino.

Encerro na certeza de que o trabalho do Samuel, agora como professor, vai continuar frutificando e nós, que tivemos o prazer de conhecer essa figura, vamos sentir sua falta e sua alegria que era uma espécie de marca registrada, ainda mais quando estava em seu ambiente predileto, a quadra do Barão.

À sua família, os sentimentos, meus e de minha família. E a Deus o pedido de que tenha meu amigo Samuel em um bom, e muito merecido, lugar.

 

 

 

Por: Lúcio Albuquerque

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