Home Manchete Nos restos da primeira cidade de Rondônia, histórias, mitos, lendas e fantasmas assombram os vigias e os enamorados

Nos restos da primeira cidade de Rondônia, histórias, mitos, lendas e fantasmas assombram os vigias e os enamorados

por carlos

PORTO VELHO – A menos de sete quilômetros do centro de Porto Velho, a extinta cidade de Santo Antônio, a mais antiga do que é hoje o Estado, tem desde 2011 uma ilustre companhia, a hidrelétrica de Santo Antônio, mas convive com o descaso de autoridades, quando o assunto é cumprir os sucessivos discursos e promessas de fazer daquele importante centro histórico uma referência para o turismo.

A  ilha de Santo Antônio, foi praticamente desmontada e no local construída a hidrelétrica que exporta energia para o país

A cidade extinta foi a sede inicial da construção da ferrovia Madeira-Mamoré nas três tentativas feitas para, enfim, ser realizada já no início do século XX, quando o povoado fundado pelo padre João Sampayo foi elevado a município em 1912, quando já perdia o brilho devido a estrada ter seu principal canteiro de obras e de administração para a vila de Porto Velho.

Santo Antônio era município de Mato Grosso até à criação do Território do Guaporé, em 1943. A cidade foi, durante muito tempo, no período áureo da borracha, o centro urbano principal da região, conforme narra o escritor Júlio Olivar em seu livro “A Cidade que Não Existe Mais”.

Capa do livro ‘A cidade que não existe mais”, do escritor Júlio Olivar

Aos poucos a cidade com toda sua estrutura foi sumindo, as casas foram sendo tomadas pelo mato e, em 1945, perdeu a condição de município e passou a ser apenas um bairro distante de Porto Velho, servindo o local para visitação turística e promessas não cumpridas.

E seu principal atrativo ficou sendo só a igrejinha de Santo Antonio de Pádua, reformada – seria melhor o termo “reconstruída” – pela empresa Santo Antonio Energia, mas tanto prefeitura quanto o governo estadual pouco ou nada fizeram além do que ganharam de presente.

Foto do centro comercial de Santo Antônio em l914, reproduzida no livro “!A trajetória da Advocacia em Rondônia”, do jornalista Carlos Araújo, em parceria com o historiador (in memorian) Francisco Matias e o advogado Hélio Vieira

Bom, se não tem a infraestrutura que precisa para fazer dali um ponto turístico como sucessivamente anunciado, história, e estórias, é que não faltam por ali, como as de que fantasmas “aparecem” ou se manifestam de formas diversas principalmente à noite, mas mesmo de dia quem ali trabalha conta que “há algo estranho” no local.

TURISMO

O acesso a Santo Antônio é feito por estrada asfaltada, mal conservada, uma pista estreita e cheia de curvas, de tráfego pesado e perigoso, sem fiscalização, além da explosão urbana na região.

A capela de Santo Antônio está recebendo obras e é o principal atrativo para quem vai à sede da primeira cidade de Rondônia

Ir até a sede do primeiro dos municípios do que hoje compõem o mapa de Rondônia, é um perigo constante mesmo para moradores  ou a quem usa a via apenas para entregar um parente ou amigo a um dos coveiros do cemitério público de Santo Antonio.

A desatenção com a importância histórica daquele local pode ser vista até na formação de “casas de caba” penduradas nos aparelhos dos ares-condicionados da mais que centenária capela, onde o tamanho dos ninhos das vespas, mostra não serem recentes.

História e estórias fantasmagóricas são fáceis de serem ouvidas, de quem mora na vila em frente ao cemitério público, e de seguranças,  ou de quem aos finais de semana se instala debaixo de uma centenária mangueira com seus sucos e pequenos quitutes, para tentar ganhar um trocado vendendo aos que visitam o local.

Os ninhos de vespas, que na região também são chamadas “cabas” ameaçam quem vai visitar o local

Frases do tipo “aqui tem algo diferente” são comuns se o visitante pergunta, ou, então, narrativas como as de que seguranças do turno da noite ouvem vozes, barulhos de brigas e o que também é citado por quem vai ali de dia, mas preferindo dizer tratar-se de barulho de ratos.

Ainda domingo passado um repórter daqui do site foi por lá e ouviu essas narrativas. Uma delas de que os barulhos noturnos numa área onde não mora  ninguém já colocaram para correr alguns vigias,  preferindo deixar o serviço, mesmo correndo o risco deperder o emprego.

QUE HÁ, HÁ, GARANTEM

Por ali é comum ouvir quem garanta existir algo de estranho no espaço onde antes ficava a cidade de Santo Antonio. Uma das pessoas lembrou: “Além de citações históricas com relação à condição do povoado, onde brigas e crimes eram comuns”, havia também bem em frente a ilha de Santo Antonio, onde hoje está a hidrelétrica”.

A placa lembra a data da primeira missa, há mais de um Século – atualmente a celebração não acontece porque a igreja está em reforma

Quando era só uma ilha, o local era sede de um presídio, onde eram colocados os piores bandidos presos na região, havendo citações de que no presídio eram comuns violências e sumiço de reclusos, especialmente quando o Rio Madeira estava cheio e alguns era dado sumiço.

Há alguns anos um morador antigo, em entrevista ao jornal Alto Madeira, contava ter sido comum ver corpos boiando no rio ou, no verão, pescadores que desapareciam engolidos pelas “locas” formadas pelas imensas pedras que apareciam no local quando o rio baixava muito.

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