Home Destaques Para OAB, sem aumentar as UTIs Rondônia pode ter uma explosão de mortes por covid

Para OAB, sem aumentar as UTIs Rondônia pode ter uma explosão de mortes por covid

por Redação

PORTO VELHO – O Governo do Estado de Rondônia publicou hoje (16), a revisão nos parâmetros da estratégia governamental de enfrentamento à pandemia, no plano de ação “Todos por Rondônia”. O plano apresenta alteração, entre outros itens, da taxa de ocupação de leitos, de forma a permitir que Porto Velho (e demais municípios que se enquadrem/enquadrarem nesses números) passem a aceitar maior flexibilização de abertura do comércio. Com a mudança, em um dos critérios, a proporção de leitos de UTI ocupados na rede pública passa a contar de 80 a 89,99%, nas cidades enquadradas na fase 2. No primeiro decreto esse número era de 40 a 49,99%.

“O Governo vem publicando decretos para o enfrentamento ao coronavírus com medidas que contradizem as próprias diretrizes. No primeiro momento, a análise dos dados mostrava que Rondônia não teria suporte para atendimento hospitalar à população, mesmo no mais favorável dos cenários (Plano Estadual de Contingência – versão III). Agora, mais uma mudança foi publicada, mas sem apresentar embasamento técnico adequado para permitir essa flexibilização no isolamento social”, destaca o presidente da OABRO, Elton Assis.

O crescente aumento de casos de doentes por Covid-19 em Rondônia tem preocupado a OAB, devido a evidente omissão e planejamento equivocado ao enfrentamento à pandemia adotada pelo Governo do Estado. Desde o início do reconhecimento do estado de emergência em saúde causado pela COVID-19 em Rondônia, a OAB tem declarado a necessidade de se adotar as medidas de prevenção e minoração do contágio, bem como a adoção de medidas necessárias para melhor aparelhar o sistema de saúde. No entanto, o reiterado atraso e a ineficiência nas ações visando a preparar o sistema para a fase aguda da pandemia é evidente, especialmente na disponibilização de novos leitos, principalmente, de UTI’s.

Para a Ordem, “com quase três meses de portas fechadas, o comércio e o setor produtivo sofrem uma grande crise e isso é gravíssimo. O objetivo do isolamento social, desde o início, era o achatamento da curva de contágio e permitir aos gestores prepararem a rede pública de saúde a fim de atender toda a demanda necessária, porém o que se viu em Rondônia foi uma omissão nas ações que agravaram a crise sanitária e econômica”, ressalta Elton Assis.

A abertura econômica anunciada pelo Governo não vem acompanhada de estudos técnico-científicos ou dados acerca da viabilidade da medida – ao menos não que tenham sido expostos à sociedade. Para o presidente da Seccional, mesmo as medidas de isolamento restritivo anteriormente aplicadas não revelam efetividade no controle da propagação, o que permite cogitar que não foram eficazes por não terem sido levadas a cabo com satisfatoriedade.

Estudo técnico

A OABRO destaca que a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) tem elaborado uma série de ferramentas, inclusive em apoio ao Ministério da Saúde do Brasil, com indicadores, para dar suporte nessas tomada de decisão, entre elas o guia técnico “Considerações sobre ajustes das medidas de distanciamento social e medidas relativas a viagens no contexto da resposta à pandemia de COVID-19”, publicada em 24 de abril.

O documento traz a experiência em países europeus com relação ao processo de afrouxamento das medidas de distanciamento social, que deve ser gradual, priorizado e planejado. No Brasil, é possível verificar tais exemplos em estados como Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná, onde o relaxamento vem seguido com aumento dos casos e mortes por coronavírus.

Além disso, o guia descreve que quando o afrouxamento é iniciado, cada etapa deve se estender por pelo menos 14 dias, para permitir a identificação de alterações epidemiológicas em um tempo correspondente a pelo menos um período máximo de incubação do vírus.

Outras duas recomendação apontada pela Organização são a abordagem que envolva não apenas o Poder Executivo, mas todas as partes da sociedade em níveis administrativos, tanto na tomada de decisões, quanto na responsabilização e revisões após a implementação de ações; e o uso de uma ferramenta como a Calculadora Epidêmica, desenvolvida numa parceria entre OPAS, Ministério da Saúde do Brasil, Universidade de Brasília (UnB), Instituto Butantã, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

“O processo analítico de qualquer decisão considerada e/ou tomada deve ser documentado formalmente pelas autoridades governamentais. As decisões também devem ser devidamente comunicadas ao público”, cita o guia.

Portanto, para o presidente da OABRO, a flexibilização das medidas de restrição é motivo de preocupação. “Nesse momento em que os índices crescem no estado, e não há estrutura hospitalar – nem pública e nem privada – para atender a crescente demanda, vejo que é uma ação extremamente perigosa para garantir a saúde da população. Sendo assim, reitero as palavras da OPAS, que é alarmante o quadro que se avizinha, seja para a economia, seja para todos os demais aspectos da vida social, causados por essa iniciativa, que pode ter efeito contrário ao esperado”, finaliza o presidente.

• Com informações: https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52045/OPASBRACOVID1920039a_%20por.pdf?sequence=8

 

 

 

 

Fonte: Assessoria

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