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OPINIÃO: Essa pandemia e a dificuldade de encontrarmos um ponto de equilíbrio.

Por Daniel Oliveira da Paixão – O mundo está aterrorizado com a forma como essa pandemia se propaga, embora entre aqueles que não são especialistas há uma mistura de sentimento de pavor até à incredulidade na letalidade da doença. A população está dividida entre os que pensam ser mais uma gripe qualquer – talvez apenas um pouco mais letal – e os que, alarmistas, acreditam que boa parte da população irá morrer com a doença se as pessoas não acatarem as recomendações de um isolamento quase paranoico.

A verdade é que nem mesmo a ciência tem consciência plena sobre essa doença, surgida na China, e que, em princípio, tomávamos como base os números do gigante asiático. Como acreditar que em um país de mais de 1.4 bilhões de pessoas um vírus que se propaga tão rapidamente só tenha afetado pouco mais de 80 mil pessoas em quase seis meses de seu surgimento e na Itália, com bem menos tempo, quase 150 mil pessoas tenham sido contaminadas?

Voltando à situação em nosso país, é preocupante a forma como as autoridades batem cabeça para encontrar um ponto de equilíbrio. Há os que querem simplesmente fechar tudo, inclusive fronteiras, em uma atitude que pode representar egoísmo e falta de solidariedade com outros municípios coirmãos. Embora sejamos uma república federativa, com um certo grau de independência dos entes federados, é preciso que a União tenha controle para impedir exageros.

O que me preocupa é que essa pandemia bagunçou completamente as instituições do país, que são comandadas por líderes oportunistas, que agora não estão mais respeitando os valores e princípios que devem nortear uma país federado. É compreensível que um município tenha autonomia para decidir se opta por quarentena e – em casos mais extremos – pelo lockout – como decidiu esta semana o STF, mas eu não sei se esse mesmo Supremo está levando em conta que a União também deve ter resguardado o poder de impedir exageros, como o bloqueio de estradas, ferrovias, rodovias, etc.

A Pandemia e o Presidente Bolsonaro
O discurso do presidente Jair Bolsonaro, na quarta-feira, me pareceu bastante centrado e destoou um pouco da forma como ele se posicionava alguns dias antes, quando era acusado de negar que o coronavírus fosse um problema.

O presidente sempre esteve certo de pensar mais à frente e mostrar que uma paralisação completa da atividade econômica traria sérias consequências. Seus opositores, muitos deles já pensando nas eleições em 2022, querem tirar proveito. Provavelmente se o presidente estivesse defendendo o fechamento completo do comércio e isolamento social absoluto desde o princípio esses oportunistas estariam se manifestando completamente de forma diversa.

A verdade é que temos de pensar também nos malefícios que a desaceleração da atividade econômica produz, embora cientes de que essa pandemia não seja brincadeira. Não podemos ser negacionistas, acreditando que o coronavírus não representa perigo, mas também temos de ser conscientes de que, mais cedo ou mais tarde, a depender de como o vírus se comporte, teremos de reabrir a economia.

As autoridades precisam ser rígidas ao exigir que a população tome as precauções, como usar máscaras no dia a dia, mas não me parece acertada a decisão de paralisar tudo, antes que seja realmente necessário. Haverá um momento em que será preciso parar por um mês, dois ou até três meses. Mais que isso, porém, seria um desastre.

Os políticos oportunistas dizem que o governo federal tem que sustentar as famílias, distribuindo a elas dinheiro para que possam sobreviver nesse tempo de dificuldades. A questão é: como o governo vai ter dinheiro sem arrecadação? Alguns dirão: simples: se o dinheiro acabar, o governo tem a casa da moeda. Quem diz isso age de forma imbecil, pois fabricar dinheiro sem lastro é como adicionar água ao leite! Em um litro de leite, você pode adicionar mil litros de água, mas isso não quer dizer que você terá mil litros de leite. Se o governo cair nessa de fabricar dinheiro na casa da moeda, em poucos dias teremos inflação desenfreada, podendo chegar a um milhão por cento em um ano.

Os recursos precisam ter lastro na atividade econômica e não na fabricação irresponsável de dinheiro na Casa da Moeda. As pessoas sobrevivem daquilo que produzem, seja no campo ou na cidade, em atividades primárias ou de transformação. O país precisa dos que produzem a matéria prima, dos que a transformam em um processo de manufatura ou de industrialização, dos que transportam mercadorias, da rede de comércio e, claro, dos prestadores de serviços que também são parte da complexa teia da atividade econômica que, no fim, com ou sem pandemia, não pode parar eternamente. Por isso, concordo com o presidente de que é preciso encontrar um ponto de equilíbrio em vez de nos engalfinharmos nessa histeria que beira à loucura. Os infectologistas têm razão em não negar o quão destrutivo é esse vírus, mas Bolsonaro enxerga um passo além! O vírus não mata apenas ao invadir uma célula e se multiplicar magicamente; ele também vai matar ao gerar o caos na economia e roubar a força vital desta nação se pensarmos apenas em nosso instinto de sobrevivência como espécie.

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