Home Educação Pais temem ano escolar perdido e concluintes do Ensino Médio os prejuízos para o Enem

Pais temem ano escolar perdido e concluintes do Ensino Médio os prejuízos para o Enem

por Redação

Enquanto os pais, especialmente os que não têm com quem deixar os filhos pequenos enquanto vão trabalhar, não sabem mais o que fazer para enfrentar a situação, estudantes de 3º ano do Ensino Médio se preocupam com seu futuro e possibilidade, que muitos deles acham muito real, de que essa longa paralisação coloque em jogo o resultado dos provões do Enem.

Foto: Divulgação / Sedu

“A competição já era dura por causa da diferença do nível de ensino de quem, como eu, estudei em escola pública, é grande para os outros colégios, com as aulas normais, imagine agora que muitos estudantes que conheço reclamam das aulas virtuais e da qualidade das plataformas e do sistema”, disse Ana Oliveira, 23 anos. No ano passado, Ana tentou e não conseguiu uma vaga para o curso desejado, de Enfermagem.

Ana tem dois filhos, um de seis e outro de cinco anos. Trabalha, “quando aparece oportunidade”, como ela disse, na condição de cuidadora de idosos, “e nas vezes que tenho contrato o jeito é pagar uma vizinha para cuidar das crianças. Eu ainda consigo pagar, mas quem não pode?”.

Osvaldo J. é o que chamam de “pai e mãe” ao mesmo tempo. “A sorte é que eu trabalho das 6 às 13 e as crianças”, são dois meninos, “ficam com minha mãe, mas mesmo assim é complicado porque há aulas pelo virtual e ela não tem muita ligação nem com a internet nem com as matérias”.

Lucas G., 17 anos, fará o Enem. Aluno de um colégio estadual, ele reclama das condições das aulas. “Desestimula qualquer um. Às vezes o professor parece que ainda não se acostumou com aplicar uma aula tipo EAD, ou a internet não é boa ou, ainda, o som é ruim. Não sei se o governo vai mandar iniciar as aulas em novembro mesmo, mas, ainda que eu não trabalhe, vai ser muito difícil a concorrência”

Mesmo quem estuda em colégio particular reclama das dificuldades de ter aula virtual. Luíza M., candidata ao Enem, disse que por mais que o sistema operado por sua escola seja bom, “não dá para comparar. Na aula com presença física podemos trocar ideias com os colegas, utilizar ferramentas que a escola disponibiliza, mas agora está muito difícil. Mas creio que esse problema esteja sendo sentido em todos os lugares”.

Para todos ouvidos pelo site, a preocupação mesmo fica por conta dos prejuízos causados pelo ano de 2020, com as aulas suspensas desde o início da segunda quinzena de março. E mesmo que voltem em novembro, a previsão é de que as aulas sejam aplicadas apenas para cumprir o calendário, o que pode ser muito prejudicial para a qualidade final.

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