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Parar a economia para saúde não colapsar é conversa fiada. Atendimento público ao povão está em colapso há anos

por Redação

PORTO VELHO – De um lado os que criticam e oferecem sugestões. De outro os que aplaudem, e pedem providências mais duras contra quem não cumpre as normas de isolamento social. O expressaorondonia.com.br ouviu várias pessoas em Porto Velho e Guajará-Mirim, sobre o último decreto do governador Marcos Rocha, estabelecendo quatro fases diferentes para tentativa de bloquear a propagação do coronavírus.

Avenida Sete de Setembro – principal centro comercial da capital – com o comércio fechado há quase 2 meses

Algumas pessoas, alegando fatores diversos, não se identificaram, mas, num ponto, todos concordam: é preciso deixar a economia voltar a funcionar “até para poder ter dinheiro para atender às necessidades decorrentes da própria doença”, disse um dos entrevistados que, no entanto, é favorável a medidas de restrição, citando haver muita gente conhecida dele que “está abusando e prejudicando os outros”.

Um técnico do Governo do Estado, citou a definição da própria OMS sobre saúde. Segundo ele, isso se resume a situações de bem-estar físico e mental e não só ausência de doenças. “Mas como um empresário pode ficar tranquilo quando sua empresa está fechada, as contas não param de chegar e ele tem, mesmo contra sua vontade, de demitir funcionários? Lógico que sua saúde vai ficar abalada. Por isso, manter esse “fecha tudo” não beneficia a ninguém”.

Um economista, também funcionário público, destaca: “não se pode ser saudável com seus negócios indo à bancarrota, demitindo pessoas, não pagando as contas. Ora, supostamente, se fecha o comércio para adequar à necessidades de atendimento dos infectados pelo sistema de saúde. Dizem que para impedir o seu colapso. É brincadeira. O sistema está colapsado de partida. Os índices altos de óbitos de SP, Ceará e no Amazonas provém de que não se tem atendimento. Com o número de leitos do país, teríamos que passar oito anos de confinamento para nos adequar”.

O pronto socorro João Paulo 2º, em Porto Velho, é um exemplo da falta de investimento e de atenção dos governantes com a saúde pública

“Mas se não tomar medidas que até considero extremas, não se terá como controlar a transmissão”, disse uma comerciária, lamentando, no entanto, que esteja em dificuldades, “até porque ganho por comissão e o melhor seria fazer como no Paraná”. O namorado, dela entende de outra maneira. “A forma correta de atuar é a de fazer testes, identificar os infectados e as possibilidades de transmissão, isolá-los e higienizar os locais de foco. Assim, cuida de quem pode propagar a doença e não sacrifica quem está bem. Fechar tudo é irracional. É tratar da doença acabando com a economia. Não adianta querer salvar do vírus mas acabar matando o cidadão de fome”.

“Não adianta só criticar o governo. Todos fomos tomados de surpresa. Estamos vivendo um momento ímpar, certamente só parecido com a II Guerra Mundial, mas no Brasil o impacto não foi tão forte. Cada um tem de fazer sua parte, porque quando essa coisa for embora, com certeza, vai dar muito trabalho para voltarmos à normalidade”, disse outro entrevistado.

Um administrador de empresas disse que há falta gestão da crise. E acrescentou: o governador de Nova York, Andrew Cuomo, colocou 84% da cidade em isolamento para descobrir que 66% da disseminação acontecia com os que estavam em casa. Justo os trabalhadores não essenciais. Os essenciais, que estavam trabalhando quase não tiveram o vírus. E, ironia: só 2% dos sem teto, dos que vivem na rua”.

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